Rarefeito
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Estou no presente. Campeio à minha frente em imagens e livros, e outras materialidades não amontoáveis, feitas de memórias impressas e de coisas a conhecer.
Exposições. Apresentação.
Olhando para o todo, um ambiente rareado parece constituir o campo das artes. Não por uma insuficiência de ações ou pela desaparição da intenção artística, mas pela condição de abertura das empreitadas e pela impossibilidade de uma normatização do fato artístico como mensurável ou previsível. Respostas a uma apropriação indevida?
A partir dos 60 fundou-se o que agora chamo de raridade, de rarefeito: algo corporificável nas situações de encontro, nas quais meu(s) corpo(s) reposiciona(m)-se. Aqui ou (n)outra(s) situaç(ões). A constatação da raridade singular enfoca outra potência manifesta. Imanência. Há ações que constituem eixos, paradoxos comuns, anti-doxas, meta esquemas. Existência. Hoje inscrevo um Arquivo como estrutura aparente, recorte e guarda do artístico no fragmentário espaço. Anti-identitário, móvel, e mesmo insuficiente. Arquivo de emergência para gerar ambientes relacionais nas artes visuais, tanto de eventos acontecidos como porvir. Investigo uma situação de arquivo como contra-dispositivo, que, é provável, não seria possível sem a estratégia tópica e incisão laminar das produções artísticas que a precederam a fim de tornar evidentes as estruturas reificantes do sistema das artes, abrindo um campo.
Estudo.
Das novas condições para o sensível apontadas no imprevisto dos situacionais sujeito, corpo, conceito, sentido, etc., para onde me movo agora?
Cristina Ribas, artista e arquivista
Publicado originalmente em Anos 70: Arte como questão. Gloria Ferreira (curadoria e org.); na seção “Mirando os anos 70 à luz das vozes dos 2000”, curadoria de Luisa Duarte. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2009. (p. 422)
