Arte e esfera pública

A noção de esfera pública concatenada à prática da arte insere esta num pensamento maior sobre a co-participação em um mesmo mundo. Para além da ‘democracia’ ou do ‘espaço público’ ditos noutros tempos, a esfera pública passa a ser o lugar daqueles que a reivindicam por não pertencerem a um outro lugar que se apresenta insuficiente; e por isto mesmo fazem da sua multiplicidade a característica do espaço comum constituído sempre sem medida. O poder da invenção de si e dos espaços é uma ferramenta neste estado de imanência, de práticas de cooperação, comunicação e criação protagonizadas por seus AGENTES.

Como dúvida da afirmação que concilia (não sem assumir o dissenso e a contrariedade) o desafio colocado pelo projeto “ARTE E ESFERA PÚBLICA” requisita a prática dos AGENTES entre o COMUM e o CAMPO ESPECÍFICO das artes, que se interpenetram dinamicamente. Parece ser necessário na atualidade elaborar sua relação a um poder constituído (será uma relação inevitável?). Como contribuição, são selecionados alguns EVENTOS do ARQUIVO DE EMERGÊNCIA – paradigmáticos desta relação.

O ARQUIVO DE EMERGÊNCIA pretende fomentar, na multiplicidade dos agenciamentos possíveis, a efetuação de uma ESFERA PÚBLICA de colaboração, aprendizagem, e construção de novas realidades possíveis.

Veja as imagens em Exposições

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Do site Arte e esfera pública
Projeto
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A noção de arte pública tradicionalmente diz respeito à instalação de uma obra de arte em praças e parques. Mas o que seria a arte pública no contexto atual?

Existem três paradigmas da arte pública*:

1. Arte no espaço público
O artista realiza uma obra de seu estilo fora do museu. O que legitima estas obras como “públicas” é simplesmente o fato de estarem instaladas em espaços considerados públicos.
2. Arte como espaço público

Artistas integram projetos de renovação urbana, realizando construções arquitetônicas ou esculturas que funcionam como mobiliário urbano e paisagismo.
3. Arte no interesse público

Artistas colaboram com audiências específicas, tratando de assuntos diretamente relevantes nas vidas dessas pessoas.

É este terceiro momento que embasa o projeto Arte e esfera pública. Apoiados em práticas contextuais (site-specific) e em projetos de colaboração, objetivamos pensar em como se constitui uma esfera pública hoje, ou, mais apropriadamente, em como se constituem e se sobrepõem diferentes esferas públicas, diferentes contextos e diferentes audiências.

O mundo da arte pode ser entendido como uma esfera pública? Como o mundo da arte se relaciona com outros mundos/outras esferas? Qual o papel do artista nesta relação?

Estas são algumas das questões que o projeto Arte e esfera pública objetiva discutir, entre os dias 3 de abril e 10 de maio de 2008. As atividades acontecem na Casa da Cidade, no Centro Cultural São Paulo e no Jamac – Jardim Miriam Arte Clube. Algumas atividades terão transmissão simultânea no site do Fórum Permanente, que hospedará também a documentação do evento (relatos críticos e vídeos). No Centro Cultural está montada a terceira edição da BASE móvel, que funcionará durante os 40 dias do evento.

O projeto Arte e esfera pública foi contemplado no edital Conexão Artes Visuais MinC/Funarte/Petrobras.

* ver Miwon Kwon, One place after another: site-specific art and locational identity. Cambridge, MA: MIT Press, 2002.

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Sobre

Este blog apresenta parte do Arquivo de emergência, uma pesquisa/arquivo desenvolvida entre 2005 e 2010 por A Arquivista e Cristina Ribas. O Arquivo de emergência existe/existiu como arquivo real para documentos produzidos a partir de práticas artísticas, comunicativas, expressivas, realizadas no Brasil a partir de meados dos anos 2000. Nas páginas do blog você encontra artigos de Cristina Ribas e A Arquivista, detalhes sobre o sistema de arquivamento e os conceitos do Arquivo, assim como imagens de exposições e montagens do Arquivo. Parte dos documentos disponíveis no Arquivo de emergência estão agora on line na plataforma Desarquivo.org.

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